Por que audiodifusores?

A Acústica Arquitetônica atua em dois campos de projeto absolutamente distintos e independentes:

  • O Isolamento Acústico, que lida com o aspecto quantitativo do som e aborda formas de se impedir que seja transmitido entre ambientes.
  • O Tratamento Acústico, que lida com o aspecto qualitativo e aborda as características internas da acústica de um ambiente.

Reflexão do som

O som que escutamos no interior de um ambiente é a combinação entre o som direto, que é o som original emitido diretamente por uma ou mais fontes sonoras, e os sons refletidos a partir das superfícies e objetos que compõe o ambiente. Isto faz com que tanto o som direto quanto as reflexões dos objetos, paredes, teto e piso sejam fatores determinantes na qualidade acústica do ambiente. Portanto, o ponto central em um projeto de tratamento acústico é o modo como se manipula as reflexões que afetam a forma com que o som se propaga no ambiente e, conseqüentemente, é nele ouvido.

O som quando encontra uma superfície é transmitido através dela, absorvido por ela ou refletido de volta ao ambiente. As propriedades acústicas da superfície é que determinam o quanto dessa energia sonora será transmitida, absorvida ou refletida. (Obs: Não associar Absorção Sonora com Isolamento Acústico. A propriedade de uma superfície de isolar acusticamente ambientes adjacentes esta relacionada à Transmissão Sonora).

Consideramos um material como Absorvedor Acústico quando uma parte da energia sonora incidente sobre ele é perdida para o material e uma segunda parte desta energia é transmitida através do material, ou seja, o som incidente não retorna ao ambiente.

O som refletido pode tanto ser redirecionado por superfícies planas (defletores) quanto espalhado de volta ao ambiente por uma superfície Difusora. Quando uma parcela considerável do som refletido é dispersada espacialmente e temporalmente, denominamos a superfície responsável um audiodifusor.

Gráfico de reverberação do som

Quando redirecionado por uma superfície reflexiva, o som refletido pode causar interações indesejadas com o som direto e resultar em cancelamentos de fase, ecos e fenômenos temporais como flutter-echo, slap-back, entre outros. Quando o som é absorvido, pode-se prejudicar a ambiência e naturalidade acústica do ambiente. Quando é uniformemente distribuído pela difusão, o som passa a ter a fidelidade da fonte sonora dispersa por uma área de audição mais ampla, livre de interferências e com pleno aproveitamento e otimização da potência sonora original.


Ambiente projetado pela NEMESIS

A necessidade de um Projeto Acústico

Para melhor servir ao uso a que se destina, um bom projeto acústico requer do ambiente dimensões, formas e superfícies apropriadas, utilizando-se a combinação e posicionamento adequado de absorvedores, difusores e defletores.

Os ambientes de acústica controlada podem ser categorizados como:

  • Ambientes de Produção Sonora
  • Ambientes de Reprodução Sonora
  • Ambientes com controle de Ruído

Ambientes de
Produção Sonora

Um bom exemplo de ambiente de produção sonora é o estúdio de gravação. A acústica do ambiente é determinante na qualidade da captação dos instrumentos ou vozes. O tempo de chegada ao microfone, a amplitude, direcionabilidade e densidade temporal das primeiras reflexões, somadas ao tempo de decaimento e densidades temporal e espacial das reflexões tardias, definem as características do som registrado. No projeto de ambientes de produção sonora, reflexão e difusão são as principais ferramentas acústicas. Uma absorção moderada pode ser usada para controlar a reverberação se necessário.

Exemplos de ambientes de produção sonora incluem Teatros, Salas de Concerto, Auditórios e Igrejas.

Ambientes de
Reprodução Sonora

Ambientes de Produção Sonora

Em contraste aos ambientes de produção, a acústica dos ambientes de reprodução sonora, como Home-Theaters, estúdios de mixagem e masterização, deve ser neutra. Todas as informações de timbre e ambientações já estão registradas no meio de reprodução, portanto o ambiente deve apenas permitir ao ouvinte ouvir exatamente aquilo que está gravado e com fidelidade a como foi gravado. Em um ambiente de reprodução sonora, a difusão tem importância primordial, e a reflexão logo em seguida. A absorção de freqüências graves e a difusão de banda larga são usadas para controlar a coloração causada por modos de ressonância e reflexões de percurso curto.

Exemplos de ambientes de reprodução sonora incluem Estúdios de Rádio e Fonográficos, Cinemas e Salas de Audição Hi-End.

Ambientes com
Controle de Ruído

Ambientes com Controle de Ruído

Em casos de controle de ruído, como ginásios esportivos, refeitórios e corredores, o objetivo é simplesmente reduzir a reverberação e a amplitude sonora. O intuito varia desde prevenir o desconforto e danos à audição até a melhoria na qualidade da inteligibilidade da fala. A principal ferramenta acústica no caso passa a ser a distribuição uniforme de absorção.

Exemplos de ambientes com controle de ruído incluem Restaurantes, Bibliotecas, Fabricas e Shopping Centers.